Belluzzo: "A genealogia capitalista do golpe e um programa capaz de derrotá-lo"

Podcast veiculado originalmente em 09/09/2019 pela Carta Maior.


Durante sua fala, Belluzzo aborda um tema que concentra as atenções das forças progressistas brasileiras, inclusive a do Presidente Lula: como escapar do arrocho neoliberal e retomar o crescimento?

E explica o significado e consequências devastadoras da onda de privatizações - "...vamos vender todas as estatais; o Presidente quer vender uma por semana..." - anunciada nesta segunda-feira pelo ministro Guedes.

Entrevista exclusiva a Saul Leblon e Carlos Tibúrcio, para a Web Radio Carta Maior:

'O que vivemos hoje é um capitalismo entregue aos seus próprios instintos.

'As reservas financeiras do ciclo Lula/Dilma permitem resgatar a democracia, a dignidade e o emprego'

'A desregulamentação financeira soltou o bicho. O que é o bicho? É o capitalismo entregue aos seus próprios instintos'.

'Muitos ainda acreditam que os agentes desse enredo são racionais e se organizam para produzir da melhor forma possível.'

'Marx e Keynes já explicaram 'olha, não é assim. ..' O objetivo dessa economia é produzir riqueza monetária. A produção real virou um estorvo, e isso é terrível'.

'Por quê? Porque você vai aproximando os tempos e as formas da produção de mercadorias, da rapidez com que se produz a riqueza monetária. Você reduz o tempo e espreme o espaço de todas as dimensões sociais. Isso é a globalização.'

'O meio ambiente é a principal vítima dessa aceleração do tempo e desconsideração com o espaço.'

'Veja o caso da Amazônia. A idéia de que é preciso liberar os produtores das restrições e constrangimentos produziu o quê? Produziu uma devastação.'

'Esse móvel destrutivo ocorre também no mercado de trabalho. No mundo inteiro --e no Brasil pior, as pessoas estão apavoradas com o avanço do trabalho precário o emprego com tempo parcial. Aí o governo vem e faz uma reforma trabalhista que agrava tudo isso.'

'Os empresários não tem capacidade de se colocar acima disso para enxergar o conjunto da obra. Eles só enxergam o interesse individual aparentemente vantajoso, o que é um equívoco inclusive para eles.'

'A financeirização busca os estoques já existentes de riqueza. As privatizações são o caso clássico de rentismo.'

'Essa economia é uma economia que busca maximizar o valor monetário; não importa qual seja a forma.'

'A cebola tem várias camadas, no centro está a relação de produção entre o capital e o trabalho na atividade produtiva. Aí se dá a transformação da economia monetária da produção em economia da produção monetária.'

'Você não tem insuficiência de consumo, mas de capital produtivo.'

'A gente não pode esquecer que o keynesianismo sucede a um período de grande destruição de riqueza, que foi a Depressão e a Guerra.'

'O Brasil teria supostamente mais liberdade que a Argentina...'

'Está mais que comprovado que você tem que estabilizar e recuperar a renda e o emprego.'

'Se você chegar hoje e disser o seguinte meu programa é emprego e renda..."

'Essa é a mensagem que você tem que passar, não tem outra.'


Professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit). É doutor em Educação Física e tem vários estudos publicados na área de Economia do Esporte. Autor do livro “A metamorfose do futebol” e coautor do livro “Impactos econômicos de megaeventos esportivos”.

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