Mortos e desparecidos de Ação Popular e APML que Bolsonaro tenta esconder

Jorge Leal Gonçalves Pereira


Baiano de Salvador, engenheiro eletricista, trabalhou na Petrobras, na refinaria de Mataripe, tendo sido preso em 1964, o no mesmo ano foi demitido da estatal. Casado, 4 filhos, depois de libertado trabalhou na COELBA. Foi sequestrado em 20 de dezembro de 1970, na Rua Conde de Bonfim, Tijuca, Rio de Janeiro, por agentes do DOI-COD-RJI. Foi visto por outros presos políticos em interrogatórios, dentro do DOI-CODI-RJ. ‘Desapareceu’ nas dependências do quartel da PM na Barão de Mesquita, aos 32 anos de idade.




Raimundo Eduardo da Silva


Mineiro de Formiga, operário, estudante e negro, militava na Ação Popular em Mauá-SP, atuando junto a um grupo de jovens católicos. Foi Presidente da Sociedade de Amigos do Bairro do Jardim Zaíra. Estava internado numa clínica de saúde, quando foi sequestrado por agentes da repressão, em 22 de dezembro de 1970. Foi levado ao DOI-CODI-SP e submetido a torturas. Morreu no Hospital Geral do Exército, em Cambuci, em 5 de janeiro de 1971, com 22 anos de idade.



Luiz Hirata


Paulista de Guaiçara, agrônomo, filho de imigrantes japoneses, estudou na Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, em Piracicaba, onde participou do movimento estudantil. Militante da Ação Popular (AP), era um dos coordenadores da Oposição Sindical Metalúrgica de SP. Sequestrado por uma equipe do delegado Sérgio Fleury, em 26 de novembro de 1971, morreu em 20 de dezembro do mesmo ano, aos 27 anos, depois de ser torturado por três semanas.




Paulo Stuart Wright


Catarinense de Joaçaba, filho de missionários presbiterianos norte-americanos, trabalhou como operário metalúrgico, ajudando a criar sindicatos em sua cidade natal. Em 1962 foi eleito Deputado Estadual pelo PSP, tendo sido cassado em 1964. Asilou-se no México, mas voltou ao Brasil um ano depois, clandestino, e entrou para a Ação Popular (AP). Representou a organização na OLAS – Organização Latino-Americana de Solidariedade, em Cuba, em 1967.

Foi um dos defensores da manutenção da APML, quando um setor da organização decidiu incorporar-se ao PCdoB, em 1972. Nos primeiros dias de setembro de 1973 foi sequestrado e levado ao DOI-CODI-SP, aonde morreu 48 horas depois, sob tortura, aos 40 anos.



Umberto de Albuquerque Câmara Neto


Paraibano de Campina Grande, cursou Medicina na Universidade Federal de Pernambuco. Foi preso no Congresso de Ibiúna-SP. Eleito Vice-Presidente da UNE na chapa de Jean Marc von der Weid, em 1969. Continuou no movimento estudantil até 1972, mas teve que partir para a clandestinidade. Militante da APML, foi sequestrado em 08 de outubro de 1973, pelo DOI-CODI-RJ, e ‘desapareceu’ nos porões da ditadura, aos 26 anos.




Honestino Monteiro Guimarães


Goiano de Itaberaí, estudante, casado, com uma filha, estudava e militava no movimento estudantil de Brasília-DF. Foi líder estudantil secundarista e universitário. Presidente do DA de Geologia da UNB, e depois da Federação das Estudantes de Brasília. Militante e dirigente da APML, assumiu a Presidência da UNE, quando da prisão de Jean Marc von der Weid. Foi preso pela primeira vez em 1966 e em 1968 quando ficou trancafiado por 8 meses. A partir dai, passou a viver na clandestinidade. Transferiu-se para S.Paulo e depois para o Rio, aonde foi preso pelo CENIMAR em 10 de outubro de 1973. ‘Desapareceu’ nos porões da ditadura, aos 26 anos. Antes de ser preso, havia escrito uma mensagem com o título “Mandato de Segurança Popular’, aonde denunciava os órgãos de repressão. Um trecho: “...A minha situação atual é de uma vida na clandestinidade forçada há quase cinco anos. Neste tempo, sofri vários processos, alguns já julgados. O resultado desses processos marca com clareza o particular ódio e a tenaz perseguição de que sou objeto...”.



Gildo Macedo Lacerda


Mineiro de Ituiutaba, foi militante do movimento estudantil secundarista em Uberaba. Foi para BH em 1966 e em 1968 ingressou no curso de Economia da UFMG. Foi preso no Congresso da UNE de Ibiúna-SP. Em 1969 foi escolhido como Vice-Presidente da UNE. Chegou à Direção Nacional da AP em 1971, e foi deslocado para Salvador. Casou e teve uma filha. Foi responsável pela implantação do trabalho camponês da organização. Era muito amigo de José Carlos da Mata Machado. Foi preso em 22 de outubro de outubro de 1973, foi visto no DOI-CODI-PE, em Recife, por outros presos, assim como Mata Machado, já muito torturados, ambos tendo falecido poucos dias depois, em 28 de outubro, Gildo com 24 anos.



José Carlos Novaes da Mata Machado


Carioca, foi um importante líder estudantil em Belo Horizonte, onde foi Presidente do CA da Faculdade de Direito da UFMG, e Vice-Presidente da UNE. Foi preso no Congresso da UNE de Ibiúna-SP, ficando detento por 9 meses. Casou e teve um filho. Foi morar em Fortaleza-CE, numa favela, e lá trabalhou como comerciário. Sequestrado em São Paulo, dias antes de Gildo Lacerda, levado inicialmente para o DOI-CODI-SP e depois para o DOI-CODI-PE, em Recife. Morreu sob torturas, junto com o amigo Gildo Lacerda, em 28 de outubro, aos 28 anos.

Mata Machado foi da AP e APML.



Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira


Pernambucano de Recife, foi liderança do movimento estudantil no Recife-PE, e depois em Niterói, na UFF. Casado e com 1 filho, em setembro de 1973 mudou-se para São Paulo, aonde foi trabalhar no Departamento de Águas e Energia Elétrica. Foi passar o Carnaval no Rio de Janeiro, para encontrar-se com o amigo e companheiro de organização, Eduardo Collier Filho, em 23 de fevereiro de 1974. Foram presos juntos, e ‘desapareceram’ nos porões da ditadura. Fernando tinha 26 anos. Sua mãe, Dona Elzita, continuou procurando pelo corpo do filho, até falecer recentemente, com 105 anos. Fernando militou na AP e APML.





Eduardo Collier Filho


Pernambucano de Recife, participou do movimento estudantil em Salvador-BA, onde estudava Direito na UFBA. Foi preso no Congresso da UNE de Ibiúna-SP, em 1968. Foi expulso da universidade, pelo Art 477. Ao ser solto, passou a viver na clandestinidade. Foi preso junto com Fernando Santa Cruz, em Copacabana, Rio de Janeiro, em 23 de fevereiro de 1974. Numa carta de sua mãe, D.Risoleta, ela fala de Duda: “...A ditadura prendeu meu filho. Duda sempre me dizia: - Não tenha medo. Não acredite em ninguém, não vou sair do Brasil, confie em mim. Se eu tiver que sair, você vai saber... Ele era um filho extraordinário, amigo, simpático, alegre, um coração enorme...”. ‘Desapareceu nos porões da ditadura, aos 26 anos, mesma idade do amigo Fernando Santa Cruz.

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