Uma linda letra para uma pérola de Paulinho da Viola: Choro Negro

Um dos autores do Deixa Falar, Marcos Silva, com criatividades múltiplas fez uma belíssima letra para o Choro Negro de Paulinho da Viola.


Sugerimos a leitura da letra e a audição do choro pelo mestre Paulinho.



Não é preciso solidão para chorar

Retrato em branco de um amor que há muito se esgotou

Submergir em cada dia, em cada fala,

Em cada escala entender que se diz não, que se diz não.


O chão da vida poderá recomeçar.

Certas palavras brincarão, apesar de seus sons.

Qualquer trajeto partirá dos seus próprios pés.

A treva, o riso, a dor e o sonho

São partes do coração.


Um choro negro é de quem tem o que sentir,

Áspera alma, cetim,

Luz da doçura do ser, luz de se ser.


Agulha, palhas, perdição e descobertas,

Vou chorar mais

choros negros

Para ainda existir


Um choro negro é de quem tem o que sentir,

Áspera alma, cetim,

Luz da doçura de ser.


Agulha, palhas, perdição e descobertas,

Vou chorar mais choros negros

Para ainda existir



Marcos nos diz que escreveu esta letra num contexto de separação amorosa, lá pelos idos de 1994.





Este LP de Paulinho da Viola, intitulado Nervos de Aço e com capa de Elifas Andreato, foi lançado em 1973. Um disco de fossa, um lindo trabalho. O editor do Deixa Falar considera que esta letra de Marcos Silva está no mesmo patamar de Choro Negro.







Marcos Silva é Doutor em História, Professor titular na FFLCH/USP. Publicou individualmente, dentre outros livros, “Prazer e poder do Amigo da Onça” (Paz e Terra, 1989). Pesquisa caricaturas, quadrinhos, literatura e ensino de História. Organizou diversos livros, dentre os quais “Dicionário crítico Nelson Werneck Sodré”. Nasceu em Natal, RN, e vive em São Paulo, SP.


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Deixa Falar: Criação e Edição de Raul Milliet Filho

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