Alguns comentários sobre a conjuntura

Atualizado: Ago 26


Artigo de Luiz Martins de Melo, economista e professor da UFRJ.



Economia


  1. A aceleração da inflação com o IPCA-15 de agosto, aumentou 0,89%, trará impactos importantes principalmente com a pressão sobre o BACEN para acelerar o aumento da SELIC com forte implicação contracionista para a economia.

  2. As tentativas do governo de driblar as restrições fiscais (teto de gastos) para aumentar os gastos públicos (auxilio Brasil) vão encontrar mais resistência ao indicar que o aumento da inflação será um grave problema para 2022.

  3. A alta inflação já está repercutindo na população com o crescimento do desgaste do governo e aponta que a recuperação econômica não será forte o suficiente para compensar queda de popularidade do Bozo e melhorar a expectativa do seu desempenho eleitoral.

  4. A crise energética vai ficar mais grave e dois efeitos importantes. O primeiro enorme aumento dos combustíveis, tema central de grande repercussão nas mídias sociais oposicionistas que atinge o núcleo central de apoio ao Bozo, caminhoneiros e segundo as tarifas de eletricidade atravessam toda a estrutura de consumo e produção, transbordam a alta de preços e ainda criam o receio de racionamento.

  5. Esse quadro cria um cenário de maior volatilidade e instabilidade no mercado brasileiro em relação ao internacional e torna mais difícil a retomada dos investimentos com os analistas da Faria Lima apontando um crescimento para 2022 e volta ao normal: 1,5%.

  6. A repercussão que terá a comunicação do residente do FED na próxima sexta-feira sobre a taxa de juros americana e o programa de liquidez.



Política


  1. Esse cenário já colocou em cima do muro a reforma tributária na Câmara (ao que parece a retirada do projeto será irreversível pelo menos na modelo apresentado).

  2. A alta da inflação e a piora no desempenho econômico terão repercussões na unidade interna do Centrão no apoio ao Bozo, não em 2021, mas para 2022. Tem sido essa a aposta do Centrão, inclusive para manter a coesão interna. Em 2021 essa unidade deve ser mantida pelo controle das verbas orçamentárias e da agenda da Câmara.

  3. Essa i unidade já mostra sinais de instabilidade com alguns membros do Centrão externando simpatias, ainda que tímidas, por Lula e o PSD em franca campanha para lançar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, candidato em 2022.Lula, corretamente, avança nas articulações políticas e nas divisões partidárias com destaque para o MDB.

  4. O discurso do comandante do Exército no dia do soldado foi um contraponto ao “meu exército” do Bozo. Sem o Exército as FAs não se movimentam para qualquer aventura. A posição do presidente do Senado ao negra o pedido de impedimento do Alexandre Moraes também indica resistência aos arroubos autoritários do Bozo. Sem Exército e sem as “vivandeiras” da sociedade civil também fica difícil o avanço da agenda autoritária e golpista.

  5. Ganhar popularidade no curto prazo com um cenário econômico negativo e, ainda por cima, com a ameaça da variante Delta de atrasar ainda mais qualquer sonho de melhora a situação rela da população é muito difícil. A tendência é que o BOZO acirre a tática de confronto seja estimulado a manter a tática de confronto para mobilizar a sua base fundamentalista, fazer barulho e empurrar para frente a alternativa de se tornar um “pato manco” e ser alijado da disputa com Lula em 2022 pela 2ª via.


Luiz Martins de Melo é doutor em Economia, Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Atleta Emérito da Confederação Brasileira de Basquetebol, ex-jogador do Vasco e da Seleção Brasileira.

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