Lula apavora as classes dominantes



Por Raul Milliet Filho


O social-democrata Luiz Inácio Lula da Silva apavora tanto as elites brasileiras e não se sabe bem por qual motivo, afinal de contas, o perigo do comunismo não existe.



Mas Lula é um mitingueiro de primeira linha, imbatível. E isto as classes dominantes não perdoam. Afinal, como não ter raiva de um retirante nordestino, criado pela mãe, operário e sindicalista de origem? A FIESP e a turma da Faria Lima não toleram. E no Rio de Janeiro o mesmo acontece com os financistas da Dias Ferreira. Assim temos uma mescla de uma discriminação de classe com essa característica das elites que não querem ceder em nada e ficam inventando, vendo assombração em qualquer ruela estreita. Vamos combinar que Lula não é nenhum Salvador Allende, nenhum Jango, nenhum Getúlio Vargas. Mas mesmo assim foi articulada uma trama envolvendo Sérgio Moro, o imperialismo norte-americano, com apoio explícito da família Marinho. O rei está nu.


A história da força-tarefa de Curitiba lembra a de um borracheiro que contratava um garoto para jogar pregos em frente à rua de sua oficina e assim aumentar sua freguesia com novos pneus furados. Além de uma canalhice jurídica foram ceifados mais de 500 mil empregos e demolida uma trajetória de sucesso internacional da construção civil brasileira.


O discurso de Lula e sua entrevista coletiva já começaram a fazer efeito. E pode-se dizer o mesmo de sua entrevista concedida a Reinaldo Azevedo com IBOPE de mais de 1 milhão e 600 mil visualizações. De início, PT, PCdoB e PSOL articulam formar uma frente ainda no primeiro turno de 2022.


A prima donna de Sobral ainda não disse a que veio e certamente ficará isolada.


A família Gomes está escondida e apavorada debaixo da cama. O máximo que o coronel cearense balbuciou foi na direção de sugerir a Lula ser o vice. Por que não ele, o próprio o Ciro?


Como tenho muitos amigos no PSOL e no PCB, raros no PSB e PDT, chamo atenção de que a vitória de Lula no ano que vem, além de desmontar as teias do bolso-fascismo, significará um grande avanço do Brasil rumo ao seu caminho civilizatório.


Respeito Boulos, sou socialista, mas hoje é preciso dar um passo atrás, para depois dar dois passos adiante, dizia Lenin. Avançar no limite do possível. A conjuntura brasileira aponta na certeza de que um social-democrata na Presidência da República representa muito, é um grande avanço.


Esperamos que ocorra uma aliança de centro-esquerda e que Lula não cometa os mesmos equívocos de seu primeiro mandato, abrindo espaços subservientes às organizações Globo e a representantes do capital financeiro como Henrique Meirelles, Palocci e seu indefectível Sargento Tainha.


Para quem não viu, sugiro assistir na íntegra o discurso de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.




Como também a entrevista concedida à Reinaldo Azevedo, divulgada no YouTube, Rádio BAND News e TV BAND News.


O mais incrível é que as Organizações Globo ignoraram esta excepcional entrevista, não deram uma vírgula. Como diz sempre o companheiro Fernando Morais: a família Marinho e as Organizações Globo são inimigas do Brasil e como tais devem ser tratadas.



Não custa relembrar que Lula recebeu os cumprimentos de Alberto Fernández, Pepe e Lúcia Mujica, Anne Hidalgo, Bernie Sanders, Maduro, Evo Morales e pelo menos 18 governadores brasileiros, sem mencionar os contatos de Estadista que Luiz Inácio manteve com os governos da China, da Rússia, de Cuba, dos Estados Unidos e da França no sentido de estimular a realização de uma reunião do G20, tendo como principal objetivo uma distribuição equitativa das vacinas pelo mundo.


Lula discursando na ONU: respeito obtido internacionalmente

Por fim, é importante ressaltar, questionando alguns queridos amigos esquerdistas que não estamos na Rússia de 1917, na China de 1949 e em Cuba de 1959. Qualquer tentativa de uma guerra de movimento dará com os burros n'água. É importante relembrar Gramsci através da pena privilegiada de Carlos Nelson Coutinho. “Parece que Ilitch (Lenin) compreendeu – observa Gramsci- que era necessária uma mudança de guerra de movimento, aplicada vitoriosamente no Oriente {isto é, na Rússia}, para guerra de posição, única possível no Ocidente esse me parece ser o significado da fórmula da frente única” e Gramsci prossegue, colocando de modo concreto a determinação central da diferença entre Oriente e Ocidente: “No Oriente, o Estado era tudo e a sociedade civil era primitiva e gelatinosa; no Ocidente entre Estado e sociedade civil havia uma relação equilibrada: há um abalo do Estado, imediatamente se percebeu uma robusta sociedade civil, o Estado era apenas uma trincheira avançada por trás da qual estava uma robusta cadeia de fortalezas e casamatas; a proporção varia de Estado para Estado, mas precisamente isso requeria um cuidadoso requerimento de caráter nacional.” …


Carlos Nelson Coutinho

E, a partir desta resposta, segue Carlos Nelson Coutinho, Gramsci pôde formular de modo positivo sua proposta para os países “Ocidentais”: nas formações Orientais, a predominância do Estado-coerção impõe à luta de classes uma estratégia de ataque frontal, uma “guerra de movimento” ou “de manobra”, voltada diretamente para a conquista e conservação do Estado em sentido restrito; No “Ocidente”, ao contrário as batalhas devem ser travadas inicialmente no âmbito da sociedade civil, visando à conquista de posições e de espaços (“guerra de posição”), da direção político-ideológica e do consenso dos setores majoritários da população, como condição para o acesso ao poder de Estado e para sua posterior conservação” In: Gramsci um estudo sobre seu pensamento político de Carlos Nelson Coutinho, editora Civilização Brasileira.


Não custa precisar que Carlos Nelson, em outras de suas obras, aponta a década de 1920 como o período precursor da ocidentalização da sociedade brasileira.





E vejam todas as manifestações dos principais jornais do mundo sobre a liberdade de Lula para concorrer em eleições.


Alinhamos, aqui, 32 matérias, suas manchetes e seus links. Uma relação que certamente não mostra todo o alcance que o nome e a palavra de Lula atingiram, ontem (10/3/2021), no território europeu.


1 The Guardian, Inglaterra

O ex-presidente trucida a resposta ‘cretina’ de Bolsonaro à Covid em sua primeira aparição na ‘volta’ | bit.ly/3bDKtCe


2 Le Monde, França

Lula fustiga as "decisões tolas" tomadas por Jair Bolsonaro na Covid-19 | bit.ly/38v0R5U


3 El País, Espanha

Lula da Silva: “Sei que fui vítima da maior mentira jurídica dos últimos 500 anos”.

bit.ly/2N63qDW | bit.ly/3bCPefb


4 Público, Portugal

“A verdade prevaleceu”, diz Lula sobre a anulação das suas condenações. | bit.ly/2N6hqgX | bit.ly/3rEDiiu


5 Diário de Notícias, Portugal

Lula da Silva. "Vou dedicar o resto da minha vida a este país"| bit.ly/3t9j14Z


6 Alexandre Bandeira, entrevista (RFI, França)

“Sergio Moro foi o principal derrotado com anulação da condenação de Lula” | bit.ly/3crThua


7 Le Monde, editorial (Le Monde, França)

“Os novos desafios de Lula no Brasil” | bit.ly/3qCZ8BV


8 Il Messaggero, Itália

Brasil, Lula agradece ao Papa Francisco pelo apoio: "por enquanto, não penso em candidatar-me" | bit.ly/3eGBmTh


9 Expresso, Portugal

“Não tenham medo de mim”: Lula falou ao Brasil | bit.ly/3qCZ8Sr


10 El Diário, Espanha

Lula volta com política nas veias e na mente nas eleições de 2022 | bit.ly/3l5BNaI


11 El Diário, Espanha

Lula: “Sei que fui vítima da maior mentira jurídica dos últimos 500 anos” bit.ly/3rEvvkH


12 El Diário, Espanha

Lula evita manifestar-se sobre suas aspirações presidenciais | bit.ly/3l4rnYM


13 La Vanguardia, Espanha

Lula entra em campanha sem confirmar se aparecerá nas eleições presidenciais | bit.ly/3esYSTr


14 Deutsche Welle-en, Alemanha

Lula do Brasil detona as políticas 'imbecis' de Bolsonaro para a Covid-19 | bit.ly/3qBWmN2


15 Euronews, Portugal

Lula não se compromete com 2022 | bit.ly/2OpSLod


16 The Independent, Inglaterra

Brasil 'Lula' critica duramente Bolsonaro, evita comentar sobre nova corrida presidencial | bit.ly/3bDH8TH


17 Morning Star, Reino Unido

O regime de direita do Brasil teme popularidade de Lula | bit.ly/3eo8Qpc


18 Le Figaro, França

Lula pronto para desafiar Bolsonaro em 2022 | bit.ly/3cl2291


19 RFI, França

"Não sigam nenhuma decisão imbecil deste presidente: tomem vacina", diz Lula | bit.ly/3t9j1lv


20 El Periódico, Espanha

Lula: “Sei que fui vítima da maior mentira jurídica dos últimos 500 anos” | bit.ly/3vhoYi4


21 El Periódico, Espanha

O árduo regresso de 'Lula' | bit.ly/3ldarPZ


22 Jornal de Notícias, Portugal

Lula da Silva: "A dor que sinto não é nada diante da dor de milhões" com a covid. | bit.ly/3v91ETT


23 El Mundo, Espanha; ABC, Espanha

Lula da Silva diz ter sido vítima de "mentira jurídica" | bit.ly/3qCZc4D | bit.ly/3bByghp


24 Financial Times, Inglaterra

Lula da Silva do Brasil retorna à luta política com ataque a Bolsonaro | on.ft.com/3l5FrBg


25 Les Echos, França

De volta à cena brasileira, Lula joga na polarização contra o Bolsonaro | bit.ly/3eu6VPO


26 Corriere della Sera, Itália

O retorno de Lula: "vítima de uma grande mentira, agora vamos nos unir contra o Bolsonaro" | bit.ly/3qCZdpd


27 Le Nouvel Observateur, França

Brasil: Lula faz campanha contra o Bolsonaro, mas ainda não é candidato | bit.ly/30uM1bg


28 The Times, Inglaterra

Lula, o herói da esquerda brasileira, está de volta para desafiar Bolsonaro | bit.ly/3qCZecL


29 Le Soir, Bélgica

Brasil: retorno inesperado de Lula à arena política | bit.ly/38uFeCB


30 The Irish Times, Irlanda

Lula retorna à luta política do Brasil com ataque Bolsonaro | bit.ly/38vx3pG


31 Tribune de Genève, Suíça

Lula, uma reviravolta sem precedentes e devastadora | bit.ly/2ONICSo


32 Spiegel International, Alemanha

Ex-presidente Lula chama a política de Bolsonaro contra a pandemia de "insana" | bit.ly/3ryn5eN



Raul Milliet Filho é Historiador, criador e editor responsável deste blog, mestre em História Política pela UERJ, doutor em História Social pela USP. Como professor, pesquisador e autor prioriza a cultura popular. Gestor de políticas sociais, idealizou e coordenou o Recriança, projeto de democratização esportiva para crianças e jovens. Autor de “Vida que segue: João Saldanha e as copas de 1966 e 1970” e do artigo “Eric Hobsbawm e o futebol”, dentre outros. Dirigiu os documentários: “Quem não faz, leva: as máximas e expressões do futebol brasileiro” e “A mulher no esporte brasileiro”.


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