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O que está em jogo nessa eleição?

Atualizado: 12 de jul. de 2023


por Marcelo W. Proni


- Numa democracia, se um governo tem uma avaliação ruim, é possível substituí-lo quando termina o mandato elegendo outro Presidente.


- Nos últimos 4 anos, a economia brasileira teve o pior desempenho entre as 20 maiores: estagnação, desemprego, inflação, baixos rendimentos, endividamento das famílias e das empresas. O governo só se preocupa com o agronegócio e com o mercado financeiro.


- O enfrentamento da pandemia foi um desastre: negacionismo, atraso na compra de vacinas, descaso com o sofrimento das pessoas. O resultado foi o maior número de mortos (em comparação com o tamanho da população), 700 mil pessoas. Além disso, o SUS ficou congestionado, o que dificultou o tratamento de outras doenças graves, causando mais mortes e mais sofrimentos.


- A crise social é mais visível no aumento dos moradores de rua e no retorno da fome entre as famílias mais pobres. Mas a maior parte da população tem sido prejudicada pela redução de gastos na área social, que atingiu a política habitacional e de saneamento básico, as escolas públicas e a merenda escolar, e programas como o farmácia popular, a vacinação infantil e muitos outros. Também aumentaram as filas nos hospitais para tratamento de todo tipo de doenças e mesmo para atendimento de emergências.


- Os problemas de segurança pública permanecem. As milícias e o crime organizado dominam os territórios abandonados pelo poder público. A liberação das armas beneficiou os grandes proprietários de terras, os milicianos e os criminosos em geral. As campanhas de ódio e intolerância aumentaram a violência policial contra as minorias. E o governo se tornou indiferente ao extermínio de povos indígenas.


- A destruição do meio ambiente acelerou com a suspensão da fiscalização, o perdão das multas aplicadas e a modificação da legislação ambiental. Ao mesmo tempo, a liberação no uso de agrotóxicos muito prejudiciais à saúde também tem contaminado o meio ambiente, inclusive as águas que abastecem as populações urbanas.


- Nos últimos 4 anos, houve uma série de denúncias de corrupção no governo federal. Dezenas de pedidos de impeachment do Presidente foram engavetados. Em contrapartida, os políticos do Centrão assumiram o controle do dinheiro público e criaram o "orçamento secreto".


- Bolsonaro já anunciou que pretende, com o apoio do Centrão, aumentar o número de membros do Supremo Tribunal Federal de 11 para 15 ministros. No próximo ano, dois ministros do STF vão se aposentar (Lewandowski e Rosa Weber). Assim, ele poderia controlar 8 membros (contando com os dois já indicados no primeiro mandato) e enquadrar o STF.


- A maioria no Congresso protegeu o Presidente de sofrer impeachment, mesmo diante de todas as provas recolhidas pela CPI da Covid-19. O Procurador Geral da República protegeu o Presidente e arquivou as investigações de corrupção. Agora, Bolsonaro cogita pedir ao Senado a destituição do ministro Alexandre de Moraes, visto como ameaça à sua família.


- Com maioria no Congresso e o controle do STF, Bolsonaro poderá alterar a Constituição Federal e permitir a reeleição presidencial por um número maior de mandatos.


- Portanto, o governo atual demonstrou ser incompetente em várias áreas importantes, é responsável por muitos sofrimentos que afetam a nossa população, desrespeitou a Constituição Federal várias vezes e deixou claro que pretende seguir um caminho autoritário (como defendido por setores das Forças Armadas) por meio do controle do Poder Legislativo e do Poder Judiciário. E para legitimar o autoritarismo, Bolsonaro e seus aliados recorrem a um discurso conservador e falsamente moralista, que usa a Religião para atacar a Ciência e usa as redes sociais para desacreditar a Imprensa, promovendo uma guerra ideológica contra as instituições democráticas.


- Está na hora de trocar o governo. Pode ser que daqui a 4 anos isso não seja mais possível.



Professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit). É doutor em Educação Física e tem vários estudos publicados na área de Economia do Esporte. Autor do livro “A metamorfose do futebol” e coautor do livro “Impactos econômicos de megaeventos esportivos”.



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